Espécie da Semana: Louva-a-deus-de-corno (<em>Empusa pennata</em>)
Empusa: A especialista da camuflagem
A Empusa/Louva-a-deus-de-corno (Empusa pennata) é um dos insetos mais curiosos e fascinantes da fauna portuguesa. À primeira vista, pode facilmente ser confundida com um ramo seco ou uma folha, graças ao seu corpo alongado e às extensões presentes nas patas e no abdómen. Esta extraordinária capacidade de camuflagem permite-lhe passar despercebida entre a vegetação, tornando-se uma predadora extremamente eficiente.
Embora seja menos conhecida do que o louva-a-deus, a empusa pertence à mesma ordem (Mantodea) e partilha muitas das suas características. Na Casa Serra à Vista, esta espécie pode ser observada durante os meses mais quentes, sobretudo em zonas de vegetação natural e prados floridos, sendo um excelente indicador da qualidade do habitat.
Características Específicas:
Nome Científico: Empusa pennata
Família: Empusidae
Distribuição: Sul da Europa, Norte de África e Médio Oriente. Em Portugal ocorre sobretudo nas regiões de clima mediterrânico.
Dimensões: Entre 5 e 7 centímetros de comprimento.
Coloração: Tons verdes, acastanhados ou amarelados, variando conforme o ambiente onde vive, permitindo uma melhor camuflagem.
Alimentação: Insetos como moscas, gafanhotos, borboletas, abelhas e outros pequenos invertebrados.
Hábitos e Comportamento:
A empusa prefere zonas abertas com vegetação herbácea e arbustiva, onde permanece imóvel durante longos períodos à espera de presas.
Este inseto é um predador de emboscada, capturando os insetos com as suas patas anteriores especializadas, equipadas com espinhos que impedem a fuga da presa.
Durante a primavera e o verão, os adultos tornam-se mais fáceis de observar. Já os juvenis apresentam uma aparência ainda mais curiosa, com um prolongamento da cabeça.
Importância Ecológica:
A empusa desempenha um papel importante no controlo natural das populações de insetos, contribuindo para o equilíbrio dos ecossistemas. Ao alimentar-se de diversas espécies, regula naturalmente as cadeias alimentares, reduzindo a necessidade de controlo químico de pragas.
A sua presença está geralmente associada a habitats bem conservados, ricos em vegetação e biodiversidade.
Sabias que?
Uma camuflagem perfeita: As expansões em forma de folhas nas patas ajudam esta espécie a tornar-se quase impercetível entre a vegetação.
Caçadora paciente: Pode permanecer imóvel durante vários minutos, enquanto espera pelo momento certo para capturar a presa.
Visão excecional: Tal como outros louva-a-deus, possui grandes olhos compostos ideais para detetar movimentos com grande precisão.
Onde pode ser observada?
Na Casa Serra à Vista, esta espécie pode ser encontrada nas zonas de vegetação espontânea e na mancha de prado florido durante a primavera e o verão. Esteja atento aos caules secos e os arbustos baixos — a sua camuflagem torna-a difícil de detetar, mas é precisamente esse desafio que torna o encontro tão especial.
Fontes e Referências Científicas:
Battiston, R., Picciau, L., Fontana, P., & Marshall, J. (2010). Mantids of the Euro-Mediterranean Area. World Biodiversity Association.